domingo, 30 de maio de 2010

O príncipe

Não quero que se repute presunção o fato de um homem de baixo e ínfimo estudo discorrer e regular sobre o governo dos príncipes; pois os que desenham os contornos dos países se colocam na planície para considerar a natureza dos montes, e para considerar a das planícies ascendem aos montes, assim também para conhecer bem a natureza dos povos é necessário ser príncipe, e para conhecer a dos príncipes é necessário ser do povo.
[...]
Consideradas as dificuldades com que se há de contar para conservar um Estado recém conquistado, poderia paracer razão de espanto o fato de que, tendo Alexandre Magno ficado, em poucos anos, senhor da Ásia, e morrido logo depois de ocupar aqueles Estados, estes não se tenham rebelado como seria razoável. Os sucessores de Alexandre, contudo, se mantiveram e não tiveram para isso outra dificuldade senão a que eles surgiu da própria ambição. Replicarei que os principados cuja memória se conserva foram governados de dois modos diversos: ou por um príncipe ajudado por ministros que no governo não são senão servos que o exercem somente por graça e concessão do senhor; ou por um príncipe e barões, os quais não por graça daquele, mas por antiguidade de sangue tem essa qualidade...
[...]
E muita gente imaginou repúblicas e principados que nunca se viram nem jamais foram reconhecidos como verdadeiros. Vai tanta diferença entre o como se vive e o modo por que se deveria viver, que quem se preocupar com o que se deveria fazer em vez do que se faz aprende antes a sua ruína própria do que o modo de se preservar...

Techos do texto de Maquiavel

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