domingo, 30 de maio de 2010

O crime nos romances

Émile Gaboriau foi o inventor de um certo gênero de romances judiciários, muito imitados depois, e muito em moda há alguns anos. Os folhetins dos jornais e os gabinetes de leitura haviam encontrado aí uma rica veia de emoções artísticas a explorar junto ao grande público.
Nesta espécie de obras, o criminoso é quase sempre relegado ao segundo plano: ele figura como um acessório à representação de um crime misterioso, porque o verdadeiro protagonista é a polícia, o agente arguto, genial e sutilmente lógico, possuindo um faro especial para descobrir o crimonoso, entre indícios vagos e insignificantes na aparência.
Uma laboriosa instrução judiciária excita a atenção do leitor e mantém-no suspenso entre duas emoções diferentes: de uma parte, a fina clarividência de um agente decidido a procurar um culpado; doutra parte, a perseguição dolorosa de um inocente atirado, pela falsa manobra de um silogismo inicial, à inexorável engrenagem de um processo criminal.
O esboço é clase sempre o mesmo: a polícia descobre um crime e um dos agentes, mais avisado do que os outros, em vez de julgar segundo a aparência e a verossimilhança, chega, por indução, a encontrar uma pista segura. Então graças aos indícios reveladores que escapam à crítica superficial de seus colegas, ele chega, através dos tortuosos meandros da verdade, a colocar a mão sobre o culpado.

fragmento da Obra "Os criminosos na arte e na literatura" edição francesa de 1908 de Enrico Ferri.

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